Ao visitar a neverland da Bia, dei-me conta de que tenho ainda muito de caminhar.
São estes alguns dos ensinamentos que ela deixa aqui.
"Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura. Arrepende-te, volta atrás, pede perdão! Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Alaga teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas. Se achares que precisas de voltar, volta! Se perceberes que precisas de seguir, segue! Se estiver tudo errado, começa novamente. Se estiver tudo certo, continua Se sentires saudades, mata-as. Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o!"
[Life is a trip. But the afterlife is one hell of a ride.]
Um filme simples, sobre coisas complexas. A morte por amor. A morte por engano. A morte sem consciência. A morte. Este é o tema principal de Wristcutters: a love story. Diferentes formas de ver a vida. Diferentes formas de a viver e de acabar com ela. No fundo, todos buscam o mesmo: uma segunda oportunidade para ser feliz. Wristcutters, mostra a viagem de três recém-mortos, após o suicídio. Zia (Patrick Fugit), cortou os pulsos, por não conseguir sobreviver à ausência da namorada após esta ter terminado o namoro. Mikal (Shannyn Sossamon) afirma estar "ali" por engano. Uma overdose empurrou-a para a morte, sem que a tivesse programado e Eugene (Shea Whigham), músico que põe termo à vida, por electrocussão na sua própria guitarra, durante um espectáculo. Cada um deles, atravessa a barreira entre a vida e a morte e "acorda" num mundo que, não sendo muito diferente daquele de onde vieram, os vai levar numa aventura onde a alegria não tem lugar. Já no "paraíso" (ou será o inferno?) Zia e Eugene conhecem-se num bar. Zia soube, por acaso, do suicídio de Desiree (Leslie Bibb), um mês após o seu. Parte, junto com Eugene, na busca de Desiree, numa aventura onde conhecem Mikal, Kneller (Tom Waits). Apaixonam-se. Eugene por Nanuk (Mikal P. Lazarev), em que nem a barreira da língua atrapalha. Zia por Mikal. Uma aventura cheia de humor negro, amizade e amor.
Será possível encontrar a segunda oportunidade, numa terra onde não há sorrisos? Será a morte uma segunda oportunidade?
Embora passe já da hora... não queria deixar passar este dia. Este ano, infelizmente, não consegui ir ao teatro, como é meu costume de anos anteriores. Mas não quero deixar passar a oportunidade sem fazer a minha (mesmo que humilde) homenagem ao Teatro, aos Actores e a todos quantos estão por trás de uma peça, e que não dão a cara nem o corpo. Relembro, assim, uma das peças que já vi, pel' O Teatrão, companhia de teatro de Coimbra, com sede na Oficina Municipal do Teatro (ainda ocupada pel' A Escola da Noite), onde ainda não se encontram por quezílias com a Câmara Municipal de Coimbra (Vereação da Cultura). Utilizam o espaço frio e pouco acolhedor (mesmo que de enorme significado para a cidade), do Museu dos Transportes (espaço cultural de Coimbra que, além d'O Teatrão, ainda vai conseguindo albergar muitas outras iniciativas, para além do teatro). O Círculo de Giz Caucasiano, é a peça que relembro aqui hoje...
Maldoror está em disco. (Lembram-se do espectáculo?) São 2.000 exemplares apenas disponíveis nos teatros por onde passa a cartola dos Mão Morta e o último dos seus coelhos. Nos teatros e online, no sítio da Cobra. Poupa-se na distribuição; ganha-se no culto do objecto. (Lembram-se de Müller no Hotel Hessischer Hof, de Carícias Malícias?) Nuno Couto e Filipe Lourenço são responsáveis pela gravação do som ao vivo, mas, diz o comunicado oficial, o som «foi depois misturado para a obtenção de uma obra autónoma».
A poucos dias da estreia de Maldoror no Theatro Circo, em Braga, tive oportunidade de falar com Adolfo Luxúria Canibal. Na altura, questionado sobre a peça de Ducasse, dizia, à luz da tarde da Brasileira:
(…) para além da delícia da leitura, que é efectivamente algo de interessante, é a delícia de ler, a escrita é fabulosa. Mas para além disso é a delícia também da descoberta porque são leituras sucessivas em que se descobrem sempre coisas novas. Há muito de descoberta no Isidore Ducasse, e é este lado que na leitura anterior estava oculto e que na leitura seguinte surge à luz do dia, este lado de descoberta é fascinante. O livro pode suportar tantas leituras e continuar sempre diferente, é algo de mágico (…).
É isto e o resto: a encenação não dispensa a literatura, nem o contrário.
O meu já está reservado... :) (ver original no Húmus, de 26/03/2008)
Há tempos "especulava-se" [leia-se 'brincava-se'] aqui, de que os Radiohead, passariam por Portugal, durante o ano de 2008. Quão sonhador anda o nosso país... Claro que não passa de um mero boato, mas é certo que este ano está a prometer ser bastante preenchido, relativamente a bons concertos. Mas desenganem-se. Para já os Radiohead não planeiam qualquer passagem por este cantinho. Aguardemos por surpresas de última hora (já que o pessoal ficou com 'água na boca'). Entretanto, poderemos ir espreitando o que andam os Radiohead a fazer...
e ir vendo uns vídeos, para abrir o apetite... Por agora, fica este som.
Radiohead - Jigsaw Falling Into Place (thumbs down version) In Rainbows (TBD Records, 2007)
Passou um ano e tanta coisa aconteceu e mudou. Em mim. Em cada um de nós. No grupo. O aniversário dos amigos Zeca e Carlos, foi uma marca na nossa amizade. Uma noite de copos, de brincadeiras, de lágrimas, de troca de segredos, de maluqueira... Afinal é isso mesmo a amizade. A partilha de momentos. E este foi um dos momentos que mais marcou a nossa união e aproximação. Os laços criados, ficaram mais apertados. Este foi mais um momento que tive o prazer de partilhar convosco. Mais destes... é difícil. Outros virão. Diferentes, sim... mas com certeza todos serão bons momentos.
Fim-de-semana prolongado, mais tempo disponível para pôr em dia os filmes que tenho (constantemente) em fila de espera, o que acabou também por ajudar a passar o tempo...
Shoot 'Em Up [Atirar a matar] O solitário Mr. Smith (Clive Owen), um atirador nato, vê-se obrigado salvar um recém-nascido, que o vilão Hertz (Paul Giamatti) procura a todo o custo, para... matar. Meretriz de profissão, DQ (Monica Bellucci), é convidada por Smith a ser ama de leite do pequeno recém-nascido. Porquê perseguir Smith? Porquê perseguir um recém-nascido?
O filme, não é muito mais que isso. A perseguição de um recém-nascido e consequente perseguição de quem o guarda. A questão mal resolvida entre a prostituta e Smith, que os fez unirem-se como pais desta criança. Tiros, muitos tiros. Balas e armas para todos os gostos. Saltos acrobáticos, mortes em série, cenas cómicas, muitas cenas cómicas mesmo no meio de tanta violência; uma esposa chata que não pára de ligar par ao telemóvel do marido e um bebé vestido de colete anti-balas e uma meia no lugar de gorro. Estranho? No mínimo... Do you know what i hate?
Vai uma cenourinha? It's good for your eyes! :P
Trailer
Realizador Michael Davis Elenco Clive Owen, Monica Bellucci, Paul Giamatti Nacionalidade EUA, 2007
Requiem for a Dream [A vida não é um sonho] E de facto, não é. Que o digam as quatro personagens principais deste drama que é a vida de obsessão. Por um lado Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), uma viúva (?) solitária, ocupa o seu tempo de solidão a ver programas de TV. Harry Goldfarb (Jared Leto), filho toxicodependente de Sara, sai de casa na busca de uma vida melhor, junto da sua namorada Marion (Jennifer Connelly), igualmente toxicodependente. Para isso procuram a via mais fácil de obter a estabilidade financeira de que necessitam, a venda de droga. Aliam-se a Tyrone (Marlon Wayans) que, para além de partilhar com o casal a amizade e o uso das drogas, ainda possui contactos importantes, para o futuro negócio. Quatro personagens, quatro visões do que poderá tornar a vida um pesadelo, quando se procura desesperadamente um sonho. Sara Goldfarb, convidada a participar num programa de televisão, entra num processo de preparação que inclui uma rígida dieta. A espera e a toma crescente de medicamentos de emagrecimento tornam-na maníaca, depressiva e obsessivamente louca. Harry, Marion e Tyrone, num período de sorte, conseguem algum dinheiro que rapidamente se esgota. A falta de droga, a ressaca e a necessidade de vender o próprio corpo em troca de dinheiro, levam à falência da relação de Marion e Harry. As vidas paralelas de quatro pessoas, marcadas pelos seus vícios e aos quais se rendem à destruição e derrota dos sonhos. O crescendo da obsessão e loucura, aceleram o ritmo das cenas, conseguindo passar para o espectador a intensidade psicológica da vivência das personagens. Apesar de ser já de 2000, continua um tema bastante actual. Recomenda-se.
Trailer
Realizador Darren Aronofsky Elenco Jared Leto, Ellen Burstyn, Jennifer Connelly e Marlon Wayans Nacionalidade EUA, 2000
The Darjeeling Limited
A avaliar pelas personagens ridículas, este filme tinha tudo para ser um bom motivo para rir. Nada disso. Trata-se de uma comédia, dramática, com um misto de aventura.
Um ano após a morte do pai, três irmãos norte-americanos Whitman (Francis, Peter e Jack; Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman, respectivamente) reencontram-se para aquilo que, supostamente, seria uma viagem de "busca espiritual", para além do reatar dos laços familiares que os uniam, com o objectivo final de reencontrar a mãe, agora "Irmã Patricia Whitman" (Angelica Huston).
A viagem de comboio pela Índia, descarrilou do seu objectivo principal e acabou no deserto. Perdidos com as malas que continham os pertences do falecido pai, prontos para o ajuste de contas entre os irmãos, e destes com as suas próprias vidas, nasce entre entre eles alguma da (natural) fraternidade quando reencontram, finalmente, e temporariamente, a mãe. Viúva que se tornou freira e dedicou o resto da sua vida a ajudar quem mais precisava. Quando estava tudo preparado para o regresso à América, onde outras preocupações os aguardavam, o seu destino empurrou-os para o início de uma nova viagem, não planeada. A busca espiritual, a meditação, as cores, a ridicularização do turista em terras estranhas. De tudo um pouco nesta aventura. Consegue-se esquecer o ridículo das personagens e criar alguma empatia com os dramas de cada um. Mesmo ridículo, chega a comover.
Trailer
Realizador Wes Anderson Elenco Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Angelica Huston, Bill Murraye Natalie Portman Nacionalidade EUA, 2007
[Inadvertently we bleed. Fighting for what we deceive.]
Serj Tankian - Baby Elect the Dead (Serjical Strike, 2007)
Baby You came to me within a dream Not everyone is who they seem, All these words we cant redeem, Like the great magic of our world, Corroborated by your words, Splitting planets into thirds.
Baby oh baby, Baby my baby, Baby ooh babe I miss you, lalala, Baby oh baby, Baby my babe, Baby ooh babe I miss you
To all the leaves that fall in vain, While god and goddess go insane All these words in your domain, The watches kill time as the books read, Inadvertently we bleed Fighting for what we deceive,
Baby oh baby, Baby my baby, Baby ooh babe I miss you, lalala, Baby oh baby, Baby my babe, Baby ooh babe I miss you
Leave me alone, Leave me alone, Now why cant you see that you always perturb me so Nearing the end of the world, just leave me alone leave me alone Why cant you see that you always perturb me so Nearing the end of the world, leave me alone, Leave me alone.
Baby oh baby, Baby my baby, Baby ooh babe I miss you, lalala, Baby oh baby, Baby my babe, Baby ooh babe I miss you
Os Portishead entreabrem a porta para o que será o Third álbum de originais, a sair a 28 de Abril. Machine Gun é o vídeo de lançamento, divulgado hoje, no site da banda (disponível após registo). Já se pode ver também no YouTube. A porta entreaberta, deixa adivinhar um óptimo álbum. Aguardemos. Para já, fica o vídeo.
Machine Gun, Portishead Third (Island Records, 2008)
Após tanto tempo de interregno no meu hábito de ver filmes (com frequência, entenda-se), regressei ao vício (embora que ainda não muito). Digamos que, em Dezembro, comecei a pôr em dia a minha (ainda fraca) cinefilia.
Há já muito tempo que queria ir aqui escrevendo sobre os filmes que vou vendo ou, pelo menos, sobre aqueles que vou gostando mais, mas a falta de vontade e o tempo não me têm permitido. Hoje, na necessidade de algo para me ocupar a cabeça, decidi avançar nesta empreitada...
Aqui vamos, então...
Breaking and Entering
Não é por acaso que escrevo hoje sobre este filme. Breaking and Entering, de 2006, foi o 7º filme realizado e de argumento por Anthony Minghella, falecido hoje, com 54 anos.
Breaking and Entering, conta a história de Will (Jude Law) numa luta entre a família, o trabalho e uma relação que não o leva a lado nenhum.
Arquitecto paisagista de profissão, Will e o seu sócio projectam um novo espaço na cidade. Bem equipado, o armazém que serve de atelier, sofre sucessivos assaltos. Na busca de um culpado, Will vigia o armazém numa noite em que conhece o assaltante. Segue o jovem até casa e descobre uma mãe, Amira (Juliette Binoche), cheia de medos e dúvidas, muçulmana, bósnia e costureira de profissão. Num segundo plano, encontra-se Liv, esposa de Will, uma escandinava que largou a sua profissão para fazer o acompanhamento de Bea, filha autista. Will, sente-se excluído da vida familiar, causada pela excessiva proximidade entre mulher e filha. É com Amira que Will, reencontra algumas das emoções que perdeu junto da mulher, Liv. No reencontro com as emoções, Will perde-se de si.
Trailer
Realizador Anthony Minghella Elenco Jude Law, Juliette Binoche, Robin Wright Penn, Martin Freeman, Ray Winstone, Vera Farmiga, Rafi Gavron, Poppy Rogers Nacionalidade Reino Unido / EUA, 2006 (fontes Cinerama e IMDb)
o vazio invade-nos. a ausência dói-nos. tudo nos foge. as saudades matam. o coração aperta. as forças faltam. o olhar vagueia. a paciência esgota-se. o significado perde-se. os sentimentos morrem. as palavras calam. as lembranças marcam. a música fere. e o vazio persiste.
Serj Tankian devolve-nos a sua voz, agora a solo, após interregno dos System of a Down. Ando a ouvir, com alguma curiosidade, Elect the Dead. Serj permanece igual a si próprio e fiel às suas convicções.
Everybody knows, Everybody knows, That you cradle the sun, sun Living in remorse, Sky is over,
Don't you want to hold me baby, Disappointed, going crazy,
Even though we can't afford The sky is over, Even though we can't afford The sky is over, I don't want to see you go, The sky is over Even though we can't afford The sky is over,
Behind closes eyes lie The minds ready to awaken you, Are you at war with land And all of it's creatures, Your not-so-gentle persuasion Has been known to wreck economies Of countries, of empires, the sky is over,
Don't you want to hold me baby, Disappointed, going crazy,
Not even from the sun, Not even from the sun Not even from the sun, Don't you want me to run,
Even though you can't afford The sky is over, Even though we can't afford The sky is over, I don't want to see you go, The sky is over Even though we can't afford The sky is over, I don't want to see you go, The sky is over Even though we can't afford The sky is over, I don't want to see you go, The sky is over Even though we can't afford The sky is over, The sky is over us.
Hoje tentei regressar à leitura, do livro que me acompanha já há algum tempo... mas todas as palavras que me passavam nos olhos eram as da minha própria história. Há capítulos da minha vida que insistem em terminar com reticências.
A eco-moda, está na moda. Reutilização de materiais para construção de acessórios modernos e ecológicos.
Materiais: marcadores de feltro usados Designer: Naulila Luis Ideia: Experimenta Design Curiosidade: Produto manufacturado no Estabelecimento Prisional de Tires, Unidade Livre de Droga (Lisboa), num protocolo desta instituição com a Experimenta Design.